domingo, 25 de março de 2012

Mão na parede, malandro!

Parte da 'Confraria do Chima', em foto tirada no último inverno.

Já é tradicional. Toda a manhã de sábado vou para a esquina do Banrisul, no calçadão de Uruguaiana, para tomar mate, conversar sobre assuntos sérios e decisivos, tais como política, futebol ou a construção do Taj Mahal (não, meu desinformado leitor, o Taj Mahal não é o mausoléu construído por Shah Jajan em Agra, mas a residência de um dos companheiros do grupo – por nós denominado Confraria do Chima –, que por entre os percalços de construir uma casa com poucos recursos já está quase finalizou a sua).
Ali, em nossa “república independente”, aproveitamos para dar pitaco nos rumos da eleição municipal, para falarmos de cinema, HQs, livros e olhar alguma gatinha que passa (com o adendo para as senhoras esposas de meus colegas que quem olha são apenas os solteiros) e, claro, tomarmos litros de chimarrão clareando – como diria o Veríssimo – as ideias e a urina.
Pois não é que, neste final de semana, quase saímos da esquina para as páginas policiais?
Bom, a manhã já começou atípica. Quando chegamos ao plenário do clube – o corte na fachada do Banrisul, bem na esquina da Duque com a Bento Martins –, o mesmo já estava ocupado por um grupo colhendo assinaturas, pleiteando a vinda do tão sonhado Hospital Regional Federal para estas paragens. Como o assunto era importante e recebia o apoio do grupo, ‘permitimos’ que a mesa lá ficasse e nos retiramos mais para o lado, atrapalhando ainda mais o trânsito dos passantes. Já quase no fim da manhã, o grupo das assinaturas decidiu tirar umas fotos do próprio trabalho – para colocar no face, explicou um deles –, recolheu o material e foi-se embora.
Nós, prosseguimos animados à sessão da Confraria e, quase distraidamente, percebi uma movimentação atípica de PMs na esquina da praça, do outro lado da rua, diagonal ao espaço que ocupávamos. Lá, onde às vezes se encontra estacionada uma viatura com dois, no máximo três agentes da lei, desta vez contei sete!
Mas eles logo circularam. Um casal saiu pelo calçadão, pelo outro lado, fazendo a volta até a outra esquina e parando, encostados no Banrisul, a escassos dois metros de onde estávamos. Outros dois, ficaram no calçadão, do outro lado da rua, de frente para nós. Três permaneceram na calçada da praça.
Na hora, conversávamos sobre o filme Tropa de Elite, que passou novamente esta semana no Telecine, quando um dos confrades, teatralmente, citou o Baiano, personagem da película, bradou: “quem é o ‘frente’? O ‘frente’ é nóis mano!” (para quem não entendeu, isso significa algo como: quem é o líder da malta? Sou eu!), e outras gírias da bandidagem carioca. Apesar da graça, fiquei preocupado, confesso, com os passantes. Não pelo que dizia meu amigo, mas por seu gestual exagerado, que ameaçava nocautear um transeunte com suas largas braçadas. Causou-me estranheza, também, o fato de que o casal de brigadianos que estava perto de nós pareceu se encolher um pouco, como que temerosos de um perigo que eu não conseguia enxergar (tá, pode me chamar de paranoico, mas com os anos de artes marciais e de trabalho em penitenciária, adquiri o hábito de cuidar possíveis perigos à minha volta o tempo todo, de forma instintiva).
Então, um dos confrades decidiu atravessar a rua e comprar uma revista na praça. Uma moto da Brigada, que passava na hora, o parou, e logo outra moto encostou. Vi, entretanto, que ele sorria e parecia conhecer um dos tripulantes, mas ainda brinquei com o advogado do nosso grupo: te prepara para soltar o Finker da cadeia. Todo mundo olhou a cena e riu, continuando com a conversa. Uns minutos depois, o brigadiano de uma das motos falou ao rádio (sim, eu continuei observando a movimentação enquanto conversava, como bom paranoico), e o casal que estava perto de nós saiu. Depois saiu a dupla da calçada em frente. Logo, não restava um policial na área. Foi quando o Finkler voltou:
— Cara, quase que vamos todos para a parede para revista!
— Como assim – quisemos saber.
— ‘Cês viram os brigadianos que me pararam?
— Sim, claro!
— Um deles era meu conhecido, me parou para saber se eu conhecia vocês. Tinha uma denúncia de que um grupo com nossa descrição estava em atitude suspeita, batendo fotos do Banrisul...
Só então entendi o que me parecera estranho na movimentação da Brigada. Nos estivemos cercados, prestes a ser abordados – talvez perto até de uma ação mais enérgica por conta das frases do Tropa de Elite. Somente então entendi o porque do casal perto de nós ter demonstrado, se não medo, ao menos um certo desconforto com as gírias da malandragem, afinal, naquele momento, éramos elementos suspeitos!
Claro que o assunto tomou todo o resto da ‘reunião’. Olhamos para nós mesmos, quase todos de camiseta preta. Para a bolsa de um dos ‘sócios’ da Confraria, que sairia dali direto para um jogo de futebol e nela carregava as chuteiras; imaginamos ele, que tem um pé avantajado, respondendo ao policial:
— O que tem dentro da bolsa?
— É minha 44 – diria ele, referindo-se ao tamanho da chuteira; certamente teríamos problemas...
Cogitamos sobre o que teria feito o Finkler, se não tivesse sido parado e estivesse na banca quando fossemos abordados:
— Bom eu disfarçaria, como se não fizesse parte do grupo, mas enquanto vocês estavam sendo revistados, informaria ao policial que passastes boa parte da última década na penitenciária – respondeu ele, apontando para mim.
Agradecemos a um dos confrades, flamenguista, por não ter vindo com a camiseta de seu time, pois teria parecido que éramos uma quadrilha interestadual, mas ressaltamos que poderia ser pior, ele poderia torcer pro Corinthians.
Por fim, antes de encerrarmos a ‘sessão’ da semana, pedimos a uma transeunte, tão desconfiada quanto os brigadianos estiveram, para tirar a foto abaixo, onde fica o registro de nossa quase ida para a crônica policial.
'Confraria do Chima' no último sábado: Mão na parede!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Neurociência

Para quem, como eu, gosta do assunto, o Nerdcast desta semana se superou, falando sobre neurociência. Um dos melhores programas dos 302 já feitos, o tema é tratado ao mesmo tempo com muito bom humor e muita informação. Quem quiser conferir, o link é http://jovemnerd.ig.com.br/categoria/nerdcast/.

terça-feira, 6 de março de 2012

Vitória da laicidade: crucifixos serão retirados dos prédios da Justiça gaúcha

Segundo o site do Tribunal de Justiça gaúcho, foi aprovado hoje (6/3), a retirada dos crucifixos e símbolos religiosos nos espaços públicos dos prédios da Justiça gaúcha. A decisão, conforme a matéria, foi unânime.
O mesmo texto informa que durante a sessão – acompanhada por representantes de religiões e de entidades sociais – o relator da matéria, Desembargador Cláudio Baldino Maciel, afirmou em seu voto que o julgamento feito em uma sala de tribunal sob um expressivo símbolo de uma Igreja e de sua doutrina não parece a melhor forma de se mostrar o Estado-juiz equidistante dos valores em conflito.
“Resguardar o espaço público do Judiciário para o uso somente de símbolos oficiais do Estado”, afirmou o magistrado, “é o único caminho que responde aos princípios constitucionais republicanos de um estado laico, devendo ser vedada a manutenção dos crucifixos e outros símbolos religiosos em ambientes públicos dos prédios”.
Nos próximos dias, será expedido ato determinando a retirada dos crucifixos.
O site informa, ainda, que o processo administrativo foi movido pela Liga Brasileira de Lésbicas e outras outras entidades sociais, em fevereiro deste ano, em recurso a decisão de dezembro do ano passado, da antiga administração do TJ-RS. Na época, o Judiciário não acolheu o pedido por entender que não havia postura preconceituosa; desta vez, ao contrário, o Judiciário gaúcho fez valer a laicidade prevista pela Constituição Brasileira.
Parabéns à Justiça que, com o perdão do trocadilho, fez justiça neste caso. Agora só falta ampliar a decisão para os outros órgãos e escolas públicas.

sábado, 3 de março de 2012

O que faz um prefeito?

A pré-campanha para a prefeitura do maior colégio eleitoral do país, São Paulo, já está em pé de guerra. Ataques de lado a lado, acusações, entrevistas e esse pandemônio todo que deve durar, pelo menos, até outubro.
Sim, caro leitor, sei que a campanha (ou pré-campanha, vá lá...) não se restringe a São Paulo, que o Rio de Janeiro, Porto Alegre, ou até mesmo minha cidade, Uruguaiana, já começam a fervilhar com o clima de combate entre os postulantes ao cargo-mor dos executivos municipais, mas São Paulo, este ano, está conseguindo se destacar em sua pré-campanha, se não pela qualidade dos “prefeituráveis”, ao menos por sua bizarrice.
Para começar, temos o caso do deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o popular Tiririca, do PR, que segundo reportagem do Diário de São Paulo, do alto dos 1,3 milhão de votos alcançados em 2010, cogita concorrer à prefeitura da maior cidade da América do Sul. O deputado, segundo a reportagem, se define como o “Prefeito do Povão”.
Tiririca, para quem não se lembra, foi o legislador federal eleito que precisou provar que não era analfabeto para poder ser empossado. Dizem as línguas maldosas que ele teria concordado de pronto com o teste proposto, apenas impôs como condição que fosse avaliado pelo então presidente Lula...
Ex palhaço de circo, Tiririca destacou-se na campanha com slogans do tipo “o que faz um deputado? Eu não sei, mas vota em mim que eu descubro e te conto”, conseguindo arrebanhar a simpatia de uma gorda fatia da população, especialmente, segundo os analistas, do chamado ‘voto de protesto’ (ou seria de ‘potresto’ no caso dele?).
“Isso é grave”, vejo meu leitor preocupado pensar, “colocar um semianalfabeto no comando da maior prefeitura do país”. Será mesmo?
Concorrendo (ou seria pré-concorrendo) contra o humorista temos um homem seríssimo, com mestrado em Economia pela Universidade do Chile e Doutorado na mesma área pela Universidade de Cornell, ex-ministro do Planejamento e Orçamento, ex-ministro da Saúde, ex-deputado constituinte... homem com extensa ficha...
Pois bem, em entrevista concedida ao jornalista Boris Casoy (veja o vídeo abaixo), o Doutor José Serra chamou o país que já cogitou governar de Estados Unidos do Brasil, denominação que o país teve até 1967, passando então ao atual nome, República Federativa do Brasil. Ao ser interpelado pelo jornalista e apontado seu erro, Serra lançou um singelo: “Mudou?”. Se tivesse sido o Tiririca certamente teriam atribuído o deslize à sua pouca cultura; qual a desculpa do pré-candidato do PSDB?

Bom, talvez a sociologia ou o Aurélio não expliquem o desconhecimento da mudança por parte de Serra, mas acho que posso encontrar as raízes do equívoco em um médico judeu-austríaco chamado Sigismund Schlomo Freud; o velho e bom Sigmund, como é mais conhecido, chamava isso de ato falho.
Para quem não sabe, o ato falho, também conhecido como parapráxis, é um erro na fala, em uma ação física ou na memória, que evidencia sentimentos reprimidos; é como no caso do marido que chama a esposa pelo nome da secretária por estar romanticamente envolvido por ela. Eu soube de um caso de um homem que foi almoçar na casa da mãe e foi pedir para ela passar o saleiro mas, ao invés de dizer “me passe o sal, por favor”, disse “você estragou minha infância, sua mulher terrível” (tá, pode ser lenda, mas ainda assim é um ato falho).
E onde estaria, nas palavras do criador da psicanálise, o “desejo do inconsciente realizado” de Serra?
Bem, eu não sou psiquiatra, ou psicólogo, na verdade sou um reles estudante de ciências, mas atravo-me a cogitar se esse desejo inconsciente não teria sido a entrega do Pré-Sal às petroleiras americanas, conforme denunciado pelo WikiLeaks em 2010. Ou seja, tal como o marido que chama sua mulher Maria pelo nome da amante Raimunda, Serra, que se considera casado com o Brasil (pelo menos desejo sexual pelo país ele já demonstrou), o chama pelo nome de sua amante do norte, já que não pode entregar de bandeja, a preço vantajoso unilateralmente, uma parte considerável de nossas reservas petrolíferas; só é pena que deu tempo de entregar a Vale do Rio Doce.
         Mas, se a briga entre os aspirantes a mandatário do executivo municipal de São Paulo promete ainda muito pano para a manga, e parece que, apesar de todo o humorismo, Tiririca está falando sério, e já há quem cogite que o autodenominado ‘Prefeito do Povão’ vá prometer no melhor estilo da campanha que o alçou a deputado: “Vote em mim pusque eu quero ajudá os mais necessitado, isclusive minha família”. José Serra que se cuide.

quinta-feira, 1 de março de 2012

O poder dos memes

Confesso-me admirador da teoria memética e, como tal, tenho lido bastante sobre o assunto. Ocorre que, por ser uma hipótese nova (lançada em 1976), e ainda pouco evidenciada, é pouca a literatura em português que se encontra sobre o assunto. Com o intuito de colaborar com quem, como eu, tem interesse no tema, fiz uma tradução livre de um artigo da drª Susan Blackmore, PhD e professora de psicologia da Universidade de West of England, Bristol.
O artigo em pauta foi publicado na revista Scientific American, edição de outubro de 2000, páginas 64 a 73.
Mantive, também, as ilustrações originais publicadas no artigo referido, todas elas devendo ser creditadas à publicação.

       Outro detalhe é que me limitei à transcrição do artigo escrito por Blackmore, não postando aqui a introdução escrita pelos editores ou os textos escritos por Lee Alan Dugatkin, Robert Boyd, Peter J.Richerson e Henry Plotkin, que tecem comentários sobre o artigo na mesma revista. Talvez o faça mais adiante.

Comportamentos e ideias copiadas de pessoa para pessoa por imitação-memes-pode ter forçado genes humanos para fazer-nos o que somos hoje

COPIADOS de cérebro a cérebro, os memes proliferar através da sociedade; cegamente eles vão evoluindo e moldando nossa cultura, diz a autora.

Os seres humanos são animais estranhos. Apesar da teoria da evolução teoria ter explicado brilhantemente tudo que compartilhamos com criaturas - a partir do código genético que dirige a construção de nossos corpos - os detalhes de como nossos músculos e neurônios trabalho ainda destacam-se de inúmeras maneiras. Nossos cérebros são excepcionalmente grandes, só nós temos linguagem verdadeiramente gramatical, e somente nós compomos sinfonias, dirigimos carros, comemos espaguete com um garfo e sabemos sobre as origens do universo.
O problema é que essas habilidades parecem exceder as necessidades, indo muito além do que precisamos para sobreviver.
Como Steven Pinker, do MIT, aponta em Como a Mente Funciona, "Biologicamente, tanto em causa quanto em efeito, a música é inútil." Podemos dizer o mesmo de xadrez, arte e matemática pura.
A Teoria da Evolução Clássica (darwiniana), que se concentra em traços hereditários de organismos, não pode justificar diretamente tais riquezas. Expresso em termos modernos, esta teoria sustenta que os traços de organismos estão sob o controle de genes; ao longo dos decurso de muitas gerações, os genes que derem aos seus portadores uma vantagem de sobrevivência e reprodução de muitos filhos (que irão herdar os genes) tendem a proliferar à custa dos outros.
Os genes, então, essencialmente competem um contra o outro, e aqueles que são mais proficientes são passados para a próxima geração e vão gradualmente prosperar.
Poucos cientistas gostariam de abandonar a Teoria Darwiniana. Mas, se isso não esclarece por que os seres humanos utilizam tanto de seus recursos em habilidades que são supérfluas para sua biológica central, a mais propagação de nossos genes, onde mais podemos olhar?
A resposta, eu sugiro, encontra-se no memes.
Memes são histórias, músicas, hábitos, habilidades, invenções e maneiras de fazer as coisas que copiamos de pessoa para pessoa por imitação. A natureza humana pode ser explicada pela teoria evolucionista, mas apenas quando consideramos os memes além dos genes.
DARWINISMO UNIVERSAL produz evolução em qualquer sistema de replicadores que exibam seleção, variação, e hereditariedade. A variação surge por recombinação e cópia imperfeita. A seleção ocorre quando limitados recursos não pode suportar todas as variantes. A hereditariedade garante que boas propriedades são passadas. Esta negligente algoritmo gera entidades altamente sofisticados.
É tentador considerar como memes simplesmente "ideias", mas mais propriamente memes são uma forma de informação. (Genes, também, são informações: instruções,
escrito em DNA, para construir proteínas.) Assim, o meme para, digamos, as primeiras oito notas do Twilight Zone tema pode ser gravado não só nos neurônios de uma pessoa (que vai reconhecer as notas quando os ouve) mas também em padrões magnéticos sobre uma videocassete ou em marcas de tinta sobre um página da partitura.

O nascimento dos Memes

A noção de que memes existem e evoluiem tem sido em torno 25 anos, mas só recentemente ganhou atenção como uma força poderosa na evolução do ser humano. Richard Dawkins, da Universidade de Oxford, cunhou a palavra em 1976, em seu best-seller O Gene Egoísta. Lá, ele descreveu o princípio básico da evolução darwiniana em termos de três processos gerais, quando informação é copiada e recopiada, com variações e com a seleção de algumas variantes em detrimento de outros, você deve ter evolução. Ou seja, ao longo de várias iterações deste ciclo, a população de cópias sobreviventes irão gradualmente adquirir novas propriedades, que tendem a torná-los melhor adequados para o sucesso na concorrência para produzir descendentes. Embora o ciclo seja irracional, gera projetos que fogem do caos.
Dawkins chamou a informação que produz copias de o "replicador" e apontou que o replicador mais familiar é o gene. Mas ele queria enfatizar é que a evolução pode ser baseada em qualquer replicador, e assim, como um exemplo, ele inventou a ideia do meme. A cópia de memes de uma pessoa para outra é imperfeita, assim como a cópia de genes de pai para filho é, por vezes imprecisa. Podemos embelezar uma história, esquecer uma palavra da canção, adaptar uma velha tecnologia ou inventar uma nova teoria diferente das velhas ideias. De todas essas variações, alguns passam a ser copiadas muitas vezes, enquanto outras morrem. Memes são assim verdadeiros replicadores, possuindo todas as três propriedades de replicação, variação e seleção do mais adaptado para para enquadrar-se no processo evolutivo darwiniano.
Dawkins diz que tinha intenções modestas para o seu novo termo – somente evitar que seus leitores pensassem que o gene era o todo e o fim da evolução, a unidade fundamental da seleção " – mas na verdade sua ideia é dinamite.
Se os memes são replicadores, então, como genes, competem para ser copiado para seu próprio benefício. Esta conclusão contradiz o pressuposto, mantido pela maioria dos psicólogos evolutivos, de que a última palavra função da cultura humana é servir os genes, auxiliando a sua sobrevivência.
O fundador da sociobiologia, E. O. Wilson, tornou-se famoso por ter dito que os genes mantém as rédeas da cultura. A Cultura, desta forma, pode temporariamente desenvolver-se em alguma direção que é contraproducente ao espalhamento dos genes, mas a longo prazo é trazida de volta à linha benéfica à seleção natural do gene, como um cão errante acorrentado por seu proprietário. Nessa visão, os memes seriam escravos dos genes que construíram os cérebros que os copiam, prosperando apenas para ajudar aos genes a proliferar. Mas se Dawkins está certo e memes são replicadores, então memes servem a seus próprios fins egoístas, replicando-se sempre que puderem. Eles esculpem as nossas mentes e culturas como em seu benefício – qualquer que seja seu efeito sobre os genes.
Os exemplos mais óbvios deste fenômeno são os memes "virais". Cartas-corrente (tanto em papel quanto em e-mail) consistem em pequenos pedaços de informação escrita, incluindo um "copie-me", instrução apoiada por ameaças (se você quebrar a corrente vai sofrem má sorte) ou promessas (você receberá dinheiro e você pode ajudar o seu amigo). Não importa o quanto as ameaças e promessas sejam vazias e seu esforço em copiar as cartas seja inútil do ponto de vista prático.
Esses memes têm uma estrutura interna que garante a sua própria propagação.
O mesmo pode ser dito, Dawkins argumenta, das grandes religiões do mundo.
De toda a miríade de pequenos cultos com líderes carismáticos que surgiram na história humana, apenas alguns tiveram o que os levou à sobrevivência – instruções copie-me com apoio de ameaças e promessas.
Nas religiões as ameaças são de morte ou condenação eterna, e as promessas são de bem-aventurança eterna. Os custos são uma percentagem da renda da pessoa, uma vida dedicada a propagar a palavra, ou recursos a serem gastos gasto na construção de magníficas mesquitas e catedrais para melhor promover os memes. Os genes podem ainda sofrem diretamente nas mãos do memes, como ocorre com um sacerdócio celibatário.
É claro que nem todo culto (ou corrente) tem a estrutura viral apropriada para ser bem sucedido.
Algumas ameaças e promessas são mais eficaz, ou virulenta, que outras, e todas competem pelos limitados recursos da atenção humana levando-se em conta ainda a experiência e o ceticismo (os qual, na metáfora viral, atuam como um tipo de sistema imunológico).
Indiscutivelmente, as religiões não são inteiramente virais; por exemplo elas fornecem conforto e um sentimento de pertencimento.
Em qualquer caso, não devemos fazer o erro de pensar que todos os memes são vírus. A grande maioria compõem a essência de nossas vidas, incluindo as línguas, política sistemas, instituições financeiras, educação, ciência e tecnologia. Todos estes são os memes (ou conglomerados de memes, chamados memeplexos), porque eles são copiado de pessoa para pessoa e vivem no espaço limitado das memórias e da cultura humana.
Pensar memeticamente origina uma nova visão do mundo. Desta forma, quando você é "contagiado", tudo muda.
Do ponto de vista dos meme, todo ser humano é uma máquina para fazer memes – um veículo de propagação, uma oportunidade para a replicação e um recurso para competir. Nós não somos nem os escravos de nosso genes nem agentes racionais livres criando cultura, arte, ciência e tecnologia para nossa própria felicidade. Em vez disso, fazemos parte de um vasto processo evolutivo no qual os memes são os replicadores que evoluem e somos máquinas de memes.
Essa nova visão é impressionante e assustadora: impressionante porque agora uma teoria simples abrange toda a cultura e criatividade humanas, bem como a evolução biológica; assustadora porque parece reduzir grandes faixas de nossa humanidade, de nosso atividades e nossas vidas intelectual, a um fenômeno irracional. Mas essa visão é verdadeira? Pode memética nos ajudar a entender a nós mesmos? Pode levar a previsões testáveis ou fazer quaisquer afirmações científico reais? Se não puder, a memética é inútil.
Acredito que a ideia do meme como replicador é o que faltava para nossas teorias da evolução humana e que a memética vai se provar imensamente útil para explicar nossos atributos únicos e o aumento da nossa elaborada culturas e sociedades. Somos diferentes de todos os outros animais, porque nós, sozinhos, em algum momento de nosso passado distante, tornamo-nos capazes de generalizada imitação. Isto soltou os novos replicadores chamados memes, que então começaram a propagar-se, usando-nos como suas máquinas de cópia, tanto quanto genes usar as máquinas cópia dentro das células. A partir de então, esta espécie única foi desenhada por dois replicadores, não um. É por isso que somos diferentes das milhões de outras espécies do planeta. Foi assim que conseguimos nossos grandes cérebros, nossa linguagem e todos nossas outras peculiares habilidades "excedentes".

Grandes cérebros para memes

A memética claramente resolve o mistério da vastidão do cérebro humano.
O cérebro humano é tão grande como os genes podem torná-lo e três vezes maior, em relação ao peso corporal, do que os cérebros de nossos parentes mais próximos, os grandes primatas. É caro construir e manter, e muitas mães e bebês morrem por complicações no parto causadas pelo tamanho da cabeça. Por que a evolução permitiu que o cérebro crescesse tão perigosamente grande? As teorias tradicionais consideram a vantagem genética, na caça ou habilidades de agricultura ou a capacidade de sustentar maiores grupos de cooperação com capacidades sociais complexas. A memética fornece uma explicação completamente diferente.
Nossa transição crítica para hominídeos foi o início da imitação e da expansão cérebros, talvez dois milhões e meio de anos atrás, antes do advento das ferramentas de pedra, A verdadeira imitação significa copiar um novo comportamento ou habilidade de um outro animal.
É difícil de fazer, requer muito processamento cerebral fato raro no reino animal. Embora muitas aves copiem músicas e baleias e golfinhos possam imitar sons e ações, a maioria das espécies não pode. Muitas vezes a "imitação" animal, tais como a aprendizagem para responder a um novo predador, envolve meramente a utilização de um comportamento inato em uma nova situação.
Mesmo a capacidade de imitação de chimpanzés é limitada a uma pequena gama de comportamentos, tais como métodos de pesca de cupins. Em contraste, a imitação generalizada de quase qualquer atividade vista, como parece vir naturalmente para os seres humanos é um truque muito mais difícil e, da mesma forma, mais valioso, deixando o imitador colher os benefícios da aprendizagem ou engenhosidade de alguém sempre que possível. Por exemplo, em experimentos realizados em 1995, o Yerkes Regional Primate Research Center, da Geórgia (EUA), foram apresentados os mesmos problemas a orangotangos e crianças humanas, e apenas os seres humanos utilizaram facilmente a imitação para resolver os problemas.
É fácil imaginar nossos ancestrais imitado novas habilidades de fazer fogo, caça, transporte e preparo dos alimentos. Como esses primeiros memes se espalharam, a capacidade de adquiri-los tornou-se cada vez mais importante para a sobrevivência.
Em suma, as pessoas que foram melhores na imitação prosperaram, e os genes que deram-lhes os cérebros maiores exigidos para isso, por conseguinte espalharam-se no pool genético. Tornaram-se assim melhores na imitação e intensificaram a pressão para ampliar o cérebro ainda mais, em uma espécie de corrida armamentista cerebral. Uma vez que todos começaram a imitar, o segundo replicador foi solto no mundo, mudando a evolução humana para sempre.
Os memes começaram a assumir o controle.
Juntamente com habilidades úteis, como a construção de fogueiras, as pessoas copiaram os menos úteis como decoração corpo e outros que utilizam caros recursos energéticos, embora sejam inúteis, a exemplo da dança da chuva. Assim, os genes enfrentaram um problema: como garantir que seus portadores copiassem apenas os comportamentos úteis. Recentemente surgiram memes que podem se espalhar através de uma população por imitação em uma única geração, mais rápido que a evolução genética pode responder. Enquanto os genes podem proteger-se, evoluindo para uma predileção a fazer fogueiras e uma aversão a realizar a dança da chuva, modismos completamente diferentes podem surgir e ter influência. Os genes podem desenvolver apenas amplas estratégias de longo prazo para tentar tornar seus portadores mais exigentes sobre o que imitar.
Uma heurística útil geral de que o genes poderiam conceder seria uma predisposição para copiar os melhores imitadores – as pessoas com maior probabilidade de apresentar versões mais úteis de memes atualmente. (Mais termos familiares para "os melhores imitadores" na vida moderna pode ser "direcionadores" ou "modelos comportamentais"). Além de sua bolsa de truques úteis para a sobrevivência, os melhores imitadores adquiririam, assim, maior status social, melhorando ainda mais suas chances de sobrevivência e ajudando a propagar os genes que lhes deram grandes cérebros, tornando-os talentosos imitadores.
Os genes continuariam a responder com melhorias na preferência inata das pessoas sobre o que imitar, mas a resposta dos genes que requerem gerações de pessoas para agir, sendo sempre muito aquém da evolução memética. Eu chamo o processo pelo qual os memes controle do gene de seleção de "direcionadores meméticos": memes competem entre si e evoluem rapidamente em alguma direção, e genes devem responder para melhorar a imitação seletiva, aumentando o tamanho e o poder do cérebro ao longo do caminho. Memes bem sucedido, assim, começam a ditar quais genes serão mais bem sucedidos. Os memes passam a segurar a coleira.
Em uma reviravolta final, isso levaria as pessoas a acasalar com os imitadores mais proficientes, porque de modo geral, bons imitadores têm as melhores habilidades de sobrevivência.
Através deste efeito, a seleção sexual conduzida pelos memes poderia ter tido importante um papel na criação de nossos cérebros grandes. Por escolher os melhores imitadores para um acasalamento, mulheres ajudam a propagar os genes necessários para copiar os rituais religiosos, roupas coloridas, canto, dança, pintura e assim por diante. Por este processo, o legado do passado da evolução memética torna-se incorporado nas estruturas dos nossos cérebros tornando-nos criaturas musicais, artística e religiosas. Nossos grandes cérebros são dispositivos seletivos de imitação, construídos por e para os memes tanto como para os genes.

Origem da Linguagem

A linguagem poderia ter sido outra requintada criação deste mesmo processo de coevolução meme-gene. Perguntas sobre as origens e funções da linguagem têm sido tão controversas que, em 1866, a Sociedade Linguística de Paris proibiu qualquer especulação sobre o assunto. Até hoje os cientistas não chegaram há um consenso geral, mas a teoria mais popular apela para a vantagem genética.
Por exemplo, psicólogo evolucionista Robin Dunbar, da Universidade do Liverpool, defende que a linguagem é uma forma de manter grandes grupos sociais unidos. A antropóloga evolucionária e neurocientista Terrence Deacon, da Universidade de Boston, propõe que a linguagem tornou a comunicação simbólica possível, o que por sua vez permitiu melhorar as habilidades de caça, estreitando as relações sociais e de defesa do grupo.
Em contraste, a teoria da memética explica a linguagem como algo que confere vantagens de sobrevivência para os memes. Para entender como isso funciona, devemos perguntar que tipos de meme teria sobrevivido melhor e proliferado no emergente pool memético de nossos ancestrais.
A resposta geral para qualquer replicador é aqueles com alta fecundidade, fidelidade e longevidade: aqueles que fazem muitas cópias precisas e longevas de si mesmos.
Os sons são mais produtivos do que gestos, particularmente se soam semelhante a "hey!" ou "alerta!" Todo mundo ao alcance da voz pode ouvir um grito, se acontecer esteja olhando para o falante ou não. Fidelidade de memes falados é maior para aqueles construídos a partir de unidades discretas do som (fonemas) e dividido em palavras, uma espécie de digitalização que reduz erros na cópia. Como diferentes ações e vocalizações competiram no pool de memes pré-histórico, tais palavras poderiam prosperar e descartar memes menos adaptados à comunicação. Então, amarrando palavras juntas em ordens diferentes, e adicionando prefixos e inflexões, proporcionaria-se nichos férteis para novos e mais sofisticados memes vocais. Em suma, os sons replicáveis de melhor qualidade replicatória eliminariam os mais inaptos.
Consideremos agora o efeito disto sobre os genes. Mais uma vez os melhores imitadores (os indivíduos mais articulados) adquiririam status mais elevado, os melhores companheiros e a maioria dos descendentes. Em consequência, os genes para a capacidade de imitar sons aumentaria no pool genético. Eu sugiro que, por este processo, a prosperidade dos sons – fundamentos da linguagem falada – , gradualmente conduziu os genes a criar um cérebro que não era apenas grande, mas especialmente vocacionados para copiar aquelas articulações. O resultado foi a notável capacidade humana para a linguagem. Ela foi projetada pela competição memética e pela coevolução meme-gene. O processo motriz memético é concomitantemente com suas máquinas de cópia (o cérebro). O aparecimento de memes não é a primeira vez que a evolução agiu assim: algo semelhante deve ter ocorrido na mais antiga fases da vida na Terra, quando as primeiras moléculas replicantes desenvolvidas no sopa primordial evoluíram para o DNA e toda a sua replicação associada à máquina celular.
Tal como aconteceu com a evolução do aparelho de cópia sofisticada do gene, poderíamos esperar melhorias na máquina de cópia dos memes – e elas surgiram. A linguagem escrita forneceu um vasto salto em frente na longevidade e fidelidade; a fecundidade imprensa reforçada. Do telégrafo ao telefone celular, do lento correio ao e-mail, de fonógrafos a DVDs e de computadores para a Internet, a cópia através de máquinas tem melhorarado, espalhando uma multidão crescente de memes mais longe e mais rápido. Hoje, a explosão da informação é apenas o que devemos esperar da evolução memética.
Esta teoria memética depende de um número de conjecturas que possam ser testadas, especialmente o pressuposto de que a imitação requer muita inteligência, mesmo seja tão fácil para nós. Estudos de varredura do cérebro podem comparar pessoas que agem com os que os imitam. Contrariamente ao senso comum, este teoria postula que a imitação é a parte mais difícil – e também que utilize partes evolutivamente mais recentes do cérebro devem ser especialmente implicadas na realização de tais tarefas. Além disso, dentro de qualquer grupo de espécies animais relacionados, aqueles com a mais capacidade de imitação deve ter os maiores cérebros. A escassez de imitação em animais limita a quantidade de dados disponíveis, mas espécies de aves, baleias e golfinhos podem ser analisadas e comparadas com esta previsão.

Testes experimentais

Se a linguagem desenvolvida no ser humano é resultado de coevolução meme-gene, linguistas devem encontrar sinais de que a gramática é otimizado para a transmissão de memes com fecundidade, alta fidelidade e longevidade, em vez de para transmitir informação sobre temas específicos, tais como a caça ou para formação de contratos sociais. Experimentos de psicologia social devem mostrar que as pessoas preferencialmente copiam pessoas mais articuladas e acham-nas mais atraentes sexualmente do que as pessoas menos eloqüentes.
Outras predições pode ser testadas por modelagem matemática e simulações computacionais, que muitos pesquisadores têm usado para modelar processos evolutivos. A adição de um segundo e mais rápido replicador em um sistema deve introduzir uma mudança dramática, análoga ao aparecimento dos memes e da expansão do cérebro humano. O segundo replicador também deve ser capaz de controlar, e mesmo parar, a evolução do primeiro. Tais modelos podem então ser usado para compreender em maiores detalhea a coevolução de memes e genes. Além disso, a ideia de uma linguagem que poderia surgir espontaneamente em uma população de criaturas imitadoras poderia ser testada com simulações de imitação de robôs ruidosos.
A ASCENSÃO da cultura poderia ter começado quando nossos primeiros antepassados hominídeos aprenderam a imitar outro indivíduo (esquerda). Quem melhor fosse capaz de imitar habilidades de sobrevivência novas, como acender fogo, prosperaria, favorecendo os genes que os tornavam mais adaptados para a imitação em geral. Mais tarde, seres humanos estavam geneticamente selecionados para imitar (centro), e os genes teriam de desenvolver estratégias para garantir a imitação dos comportamentos mais valiosos. Táticas como "Imitar os melhores imitadores" resultaria em melhor cópia de habilidades de sobrevivência, mas também de comportamentos externos, tais como decoração roupa. Bons imitadores ganharia status social, atrairiam parceiros e teriam mais filhos, levando os genes desenvolver cérebros ainda maiores, capazes de imitação elaborada. Imitação se tornaria uma parte intrínseca da natureza humana, e memes sempre em evolução produziriam gradualmente sistemas culturais inteiros (à direita), com atividades complexas como construção de monumentos e sacrifícios humanos que não trazem nenhuma recompensa para os genes, mas servem para transmitir os memes associados.


A memética é uma ciência nova, lutando para encontrar o seu lugar, e com muitos críticos. Alguns desses críticos simplesmente não entenderam a ideia de um replicador. Precisamos lembrar que os memes, como os genes, são meros de bits de informação que ou conseguem se replicar ou não. Nesse sentido, mas em nenhum outro, os memes podem ser chamados de "egoístas" e ter poder de replicação. Memes não são entidades mágicas ou de livre flutuação de ideais platônicos, mas informação apresentada em específico nas memórias, ações e artefatos humanos. Também nem todos os conteúdos mentais são memes, porque nem todos eles foram copiados de alguém outra coisa. Se todos os memes fossem removidos, você ainda teria muitas percepções, emoções, fantasias e habilidades aprendidas que são só suas, que você não adquiriu de qualquer outra pessoa e que você nunca pode compartilhar com outros.
Uma objeção comum é que os memes são muito diferentes dos genes. E eles realmente o são. Eles sofrem (ou se beneficiam) de taxas de mutação muito maiores, e eles não estão presos em a um sistema tão rigidamente prescrito como a replicação do DNA e de proteínas síntese. Os memes são mais bem compreendidos não através de analogias com os genes, mas como novos replicadores, com as suas próprias formas de sobreviver e ser copiados. Memes pode ser copiado em todo o lugar, da fala para o papel do livro para o computador, e de uma pessoa para outra.
No entanto, muitas críticas de maior potenciais permanecem, e há muito trabalho ainda a ser feito. No final, a memética merece ter sucesso só se ela fornecer melhores explicações do que as teorias rivais, e ofertae predições válidas e testáveis. Ao contrário das religiões, o grande complexo de memes da ciência inclui métodos para jogar fora as ideias que são erradas, vazias ou simplesmente sem sentido. É em função destes critérios que a memética, com justeza, será julgada.
EMOÇÕES despertada pos símbolos ideológicos sugerem a importância que os memes têm para nós e sobre o poder que têm sobre o nosso comportamento.