quarta-feira, 30 de outubro de 2013

De búque is on de têibol

Buenas, gurizada!!!!!
Como muita gente sabe (os que ainda não sabiam ficam sabendo agora) estou nos Estados Unidos como bolsista do Ciências sem Fronteiras.
Nesses primeiros meses estou em um curso intensivo de inglês que, confesso, não está fácil!!!! Ainda mais para mim, que cheguei aqui em agosto falando pouco mais do que “de búque is on de têibol” (e assim mesmo, nada de “the book is on the table”), e que apanhei um bocado no aeroporto como vocês podem ler em uma crônica anterior.
Assim, tenho estudado um bocado para tentar aprender a língua de Shakespere e da Pink e, ao contrário do que pretendia, tenho deixado meu blog de lado...
Mas hoje tive uma ideia, que tal juntar o útil ao agradável? Assim, vou começar, a partir de hoje, a dividir com vocês meu aprendizado, tanto como forma de ajudar quem, como eu, não sabia nem dizer direito que o livro está sobre a mesa, quanto para quem quer relembrar ou ampliar seus conhecimentos.
Sei que tem muitos blogs por aí que ensinam (e com grande competência) o idioma, e que sou um a mais; qual meu diferencial??? Também não sei nada, mas estou aprendendo com professores qualificados (prrofessorres amerricanos, como diz aquela propaganda famosa...). Além disso, tenho que confessar, há o interesse egoísta de aprender enquanto ensino, pois enquanto estou postando isso, estou revendo as matérias dadas em aula. 
Então, se você quer empreender essa jornada comigo, acompanhe meus posts a partir de hoje.
Assim, vamos começar pelo mais básico, pelo ABC (literalmente).
Vou usar em meus posts (como muitos livros usam) o alfabeto fonético internacional para representar os sons quando isso for necessário.
Abaixo a simbologia:
Consoantes
p
pen /pen/
s
see /si:/
b
bad /bæd/
z
zoo /zu:/
t
tea /ti:/
ʃ
shoe /ʃu:/
d
did /did/
ʒ
vision /’viʒn/
k
cat /kæt/
h
hat /hæt/
g
get /get/
m
man /mæn/
ʧ
chain /ʧein/
n
now /naʊ/
ʤ
jamæm/
sing /siŋ/
f
fall /fə:l/
l
leg /leg/
v
van /væn/
r
red /red/
ɵ
thinin/
j
yes /jes/
then /ðem/
w
wet /wet/
Vogais e ditongos
i:
See /si:/
ʌ
Cup /kʌp/
i
Happy /‘hæpi/
ɜ:
Fur /fɜ:r/
i
Sit /sit/
ə
About /ə’baʊt/
e
ten /ten/
ei
Say /ei/
Cat /kæt/
Go /goʊ/
ɑ
Hot /hɑt/
ai
Five /faiv
ʋ
Long /lʋŋ/
ɔi
Join /ʤɔin/
ɑ:
Bath /bɑ:ɵ/
Now /naʊ/
ɔ:
Saw /sɔ:/
iə
Near /niər/
ʊ
Put /pʊt/
Hair /heər/
u
Actual /’ætʃuəl/
ʊə
Purê /pʊər/
u:
Too /tu:/



Uma boa dica para praticar a fonética é o site fənɛtiks, que traz a fonética das letras em inglês. Outra dica é usar o google translator (clique aqui para saber como eu faço).
O alfabeto inglês é composto de 5 vogais e 21 consoantes, totalizando 26 letras. São elas:
Letra (letter)
Pronúncia (letter name)
Letra (letter)
Pronúncia (letter name)
Letra (letter)
Pronúncia (letter name)
A
B
C
D
E
F
G
H
I
ei /eɪ/
bi /biː/
ci /siː/
di /dɪ/
i /iː/
ef /ɛf/
gee /dʒiː/
aitch /eːtʃ/
ai /aɪ/
J
K
L
M
N
O
P
Q
R
jay /dʒeɪ/
kay /keɪ/
el /ɛl/
em /ɛm/
en /ɛn/
ou /oʊ/
pi/piː/
qiu /kjuː/
ar /ɑr/
S
T
U
V
W

X
Y
Z
es /ɛs/
ti /tiː/
iu /juː/
vi /viː/
dabliu /ˈdʌbəl juː/
eks /ɛks/
wai /waɪ/
zi /zɛd/

Para aprender mais fácil, que tal cantar?

Vale lembrar que o que apresento aqui não substitui um bom curso de inglês, mas ajuda quem está começando ou quem quer rever.
Bom, gurizada, hoje vou ficando por aqui, até o próximo post.

Referências:

AZAR, Betty S. Basic English Grammar. White Plains: Azar Associates, 2006.
MERRIAM-WEBSTER, Incorporated. Webster’s new explorer college dicionary. Springfield: Merriam-Webster, 2007.
MOJSIN, Lisa. Mastering the American accent. Hauppauge: Barron’s Educational Series, Inc., 1999.
UNIVERSITY OF OXFORD. Dicionário Oxford escolar para estudantes brasileiros de inglês. Oxford: Oxford University Press, 2011.
GOOGLE. Google Translate. Disponível em http://translate.google.com/#pt/en/put. Acesso em 30/10/2013.
GOOGLE. Youtube. Disponível em http://www.youtube.com/. Acesso em 30/10/2013.
UNIVERSITY OF IOWA. fənɛtiks. Disponível em http://www.uiowa.edu/~acadtech/phonetics/#. Acesso em 30/10/2013.
WIKIPEDIA, A Enciclopédia Livre. Disponível em http://pt.wikipedia.org. Acesso em 30/10/2013.
Aulas com as professoras Lucia Moburg e Rose Buser na Universidade Estadual de Wisconsin, Campus Oshkosh, 2º semestre 2013.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Um prego no caixão

Comemorando o Halloween, essa semana temos que contar, na aula de inglês, um conto de terror. Eu escolhi uma história folclórica gaúcha, que meu avô me contava. Abaixo estão a versão em português e a tradução para o inglês, ambas escritas por mim.
***
Essa era uma história que meu avô me contava, sempre salientando que era um “causo verídico acontecido”. Não que ele tivesse conhecido o personagem principal, mas segundo ele, conhecera um dos apostadores.
Pois contava meu avô que Tibúrcio era um homem valente, veterano da guerra de 1835. Era respeitado, mas era também um fanfarrão.
Alto e forte, dizia a quem quisesse ouvir que não tinha medo de nada nem de ninguém, por qualquer coisa brigava e dizia que já tinha montado em boitatá e capado lobisomem.
Os amigos só ouviam, raramente retrucavam, pois tinham medo do temperamento explosivo de Tibúrcio.
Era um dia de inverno, em que o minuano, um vento que vem do polo sul e sopra gelado, assoviando sua canção uuuuuuuuuuuuuu, que muitos antigos diziam ser a voz de almas penadas. Em um bolicho, bebendo cachaça com os amigos, Tibúrcio se gabava de seus feitos, sempre é claro com exagero; se a luta fora na verdade com dois homens, esses se transformavam em 20, se ele na verdade deu um corte no pescoço, em sua história a cabeça do inimigo tinha voado e caído a cinco metros. Todo mundo ouvia, entre o incrédulo e o divertido, até que Tibúrcio apelou pro sobrenatural, e contou a vez em que, dizia ele, tinha domado uma mula-sem-cabeça. Aquilo foi demais!
“Tu ficas contando essas histórias”, disse um dos ouvintes, “tá certo que tu és valente, mas domar assombração?”
“Pois se estou lhe contando, seu”, retrucava Tibúrcio, sério, como a dizer que duvidar dele podia ser perigoso.
Mas dessa vez os amigos não se intimidaram e uma discussão se instalou sobre como é diferente não ter medo de luta e não ter medo de assombração.
A discussão corria solta, quase se transformando em luta, quando uma voz foi ouvida do fundo, era Anaurelino, o mais velho dentre eles, e por isso o mais respeitado. A voz dele não soou alta, mas fez todos se calarem:
“Bueno, Tibúrcio, então você afirma que não tem medo de assombração, do mesmo jeito que não tem medo de briga?”
Tibúrcio cofiou a barba: “Mas claro, seu Anaurelino!”
“E vocês duvidam?”, questionou à audiência, que aquiesceu iniciando uma nova discussão, até que a voz de Anaurelino calou todos novamente.
“Pois é muito fácil saber quem está certo”, disse ele a todos, “que tal uma aposta?”
A face confiante de Tibúrcio por uns momentos virou de preocupação, a verdade é que tinha muito medo de assombração, mas a solução logo lhe veio à cabeça: e onde iam conseguir uma assombração para provar que ele estava mentindo. Com novo ânimo retrucou:
“Mas seu Anaurelino, e onde vocês vão conseguir uma assombração?”
Todos concordaram ruidosamente.
“Não é preciso”, respondeu o veterano, “eu tenho a coisa certa. Tu tens que ir à meia noite de hoje, no cemitério e entrar no jazigo dos Monteiros”.
Todos se admiraram da sagacidade do velho. O jazigo dos Monteiros era famoso por ser o repouso final do coronel Zé Monteiro, veterano de muitas guerras e que, dizia-se, tinha pacto com o demônio.
Tibúrcio novamente engoliu em seco. Ir ao cemitério, à meia noite? E entrar no jazigo dos Monteiros? E sozinho? Mas espere! Se ele tinha medo os outros também tinham:
“Bueno, e quem vai comigo para confirmar que realmente fui?”
Todo mundo recuou, queriam desmascarar o Tibúrcio, mas não o suficiente para se atreverem a uma coisa dessas!
Novamente foi Anaurelino quem deu a solução:
“Mas não precisa ninguém ir junto, Tibúrcio, basta que pregues um prego no caixão do Zé Monteiro, daí tu provas que estivestes lá!”
Tibúrcio não estava nem um pouco contente, mas fora desafiado e sabia que não podia recuar, pois então toda sua fama de valente iria por água abaixo...
“Bueno”, disse ele, quase num fio de voz, “e o que vale a aposta?”
“Uma garrafa da melhor canha!”
A noite ia muito fria, sem lua, e o minuano soprava seu lamento fantasmagórico que, por si, já arrepiaria um homem valente. Tibúrcio tremia à porta do cemitério; sabia que não era de frio, seu poncho atacava o frio, tanto que suas mãos estavam suadas, mas de puro medo. A vela que trouxera para iluminar o caminho não permanecia acesa com o minuano. Mas sabia que não podia recuar. Respirou fundo e adentrou ao campo-santo.
Tentando não olhar pros lados para não ser surpreendido por nenhuma alma penada, caminhou até o jazigo dos Monteiros, alto e destacado, como se a família mais rica e poderosa do local quisesse seguir mandando nos outros mesmo depois de morta.
Suas mãos tremiam quando abriram a porta. Seus passos pareceram fantasmagóricos no espaço apertado, seu coração disparava, e o lamento do minuano uuuuuuuuuuuuu tornava o lugar ainda mais assustador. Tentou novamente acender a vela, novamente o vento não deixou.
“Bueno”, disse a si mesmo, “que seja”. Chegou ao caixão do Zé, tocou-o com muito temor. “Perdão”, pediu ao morto, chegou mais perto, ainda sem enxergar quase nada, colocou o prego e o pregou o mais rápido que pode, para escapar logo dali. Terminada a faina, largou o martelo no chão e decidiu correr dali. Deu dois passos e algo lhe puxou o poncho com força. Seu coração disparou. Olhou para trás, algo no caixão segurava seu poncho, mas estava escuro demais para saber o quê... sentiu todo o corpo tremer e o coração parecia que iria sair-lhe da boca. Puxou o poncho com mais força do que podia, o caixão moveu-se no jazigo, a força que segurava seu poncho com certeza vinha do caixão, e não iria permitir que partisse sem que pagasse pelo pecado de atrapalhar o sono eterno dos outros. Sentiu então um gosto acre na boca, seu braço esquerdo doía e estava dormente, a vista escureceu e Tibúrcio caiu ao chão.
Na manhã seguinte, quando os amigos de trago foram ao jazigo, encontraram Tibúrcio morto ao chão, ataque cardíaco. Ainda assim, tiveram que reconhecer, era um homem valente, pois pregado ao caixão do Zé Monteiro estava o prego que lhe exigiram, com o pequeno porém de que o poncho de Tibúrcio, no escuro, fora pregado junto...
Meu avô finalizava a história dizendo que Tibúrcio fora sepultado com honras de herói, e em seu caixão, uma dúzia de garrafas da melhor cachaça, pois ninguém queria deixar de pagar a aposta e arriscar a ser assombrado pela alma penada de um homem valente.


A Nail in a Coffin

This is a story that my grandfather told me, always stressing that it is a "veritable tale happened." He hadn’t known the main character, but he said he met one of the punters.
My grandfather told me that Tiburcio was a brave man, a veteran of the War of 1835. He was respected, but was also a braggart..
Tall and strong, he told anyone who would listen that he was not afraid of anything or anyone, he fought just for fun and said that he had already mounted the boitatá and gelded a werewolf.
Friends listened, and only rarely retorted, for they were afraid of the temper of Tiburcio.
It was a winter day, and the minuano a wind from the south pole which blows cold, whistled his ghostly song uuuuuuuuuuuuuu that many ancients said to be the voice of lost souls.
In a saloon drinking cachaça, a Brazilian brandy, with friends, Tiburcio boasted of his accomplishments, always of course with exaggeration. If the fight was actually two men, they turned into 20: if he actually gave a cut to the neck, Tiburcio said the enemy's head had flown to five yards. Everyone listened, between awe and fun until Tiburcio appealed to the supernatural, and told of about the time when had tamed a mule-without-head. That was too much!
"You stay telling these stories," said one of the listeners, "that's right you are brave, but taming a haunting?"
"I'm telling you", retorted Tibúrcio, seriously, as to say that doubting him could be dangerous.
But this time the friends were not intimidated and settled a discussion about how different it is not to be afraid to fight, and not to be afraid of ghosts.
The discussion flowed loose, almost turning into a fight, when a voice was heard in the background, it was Anaurelino, the oldest among them, and therefore the most respected. His voice did not sound loud, but it made everyone shut up:
Bueno, Tiburcio, then you say you have no fear of ghosts, the same way that you are not afraid to fight?”
Tiburcio stroked his beard: "Of course, Mr. Anaurelino!"
"And you doubt him?" He asked the audience, who nodded starting a new discussion, until the voice of Anaurelino silenced all again.
"Since it is very easy to know who is right," he said to all, "how about a bet?"
The confident face of Tiburcio turned for a moment of concern, the truth is that he was very much afraid of ghosts, but the solution immediately came to mind: where would they get a haunting to prove that he was lying? With new courage he replied:
“But Mr. Anaurelino, where you will get a haunting?”
All agreed loudly.
"No need," replied the veteran, "I have just the thing. You have to go at midnight today, the cemetery and enter the tomb of Monteiros ".
Everyone admired the wisdom of the old man. The tomb of Monteiros was famous for being the final resting place of Colonel Zé Monteiro, veteran of many wars, and it was said, he had a pact with the devil.
Tiburcio again swallowed hard. Go to the cemetery at midnight? And enter the tomb of Monteiros alone? But wait! If he was afraid the others were too:
“Bueno, and who is going with me to confirm that I really will go?”
Everyone retreated, they wanted to unmask the Tiburcio, but not enough to dare such a thing!
Again it was Anaurelino who gave the solution:
"But do not need anyone to go with, Tiburcio, you just need to hammer a nail in the coffin of Zé Monteiro, hence you prove that you have been there!"
Tiburcio was not a little pleased, but was challenged and knew he could not back down, because then all his valiant fame would fall ...
Bueno”, he said, almost in a faint voice, "and what is the bet?"
“A bottle of the best cachaça!”
The night was very cold, moonless, and Minuano blew his ghostly wail that by themselves may bristle a brave man. Tiburcio trembled at cemetery gate, he knew it was not cold, the cold was attacked his poncho, so that his hands were sweaty, but pure fear. The candle he had brought to light the way not remain alight with the Minuano. But he knew he could not retreat. Deep breath and entered the cemetery.
Trying not to look sideways to not be surprised by any ghost, walked to the tomb of Monteiros high and prominent, as the richest and most powerful family of the place wanted to follow in ordering others even after her death.
His hands trembled when he opened the door. His footsteps seemed to ghostly in the cramped space, his heart was racing, and it regrets the Minuano uuuuuuuuuuuuu made it even scarier. He tried again to light the candle; the wind did not leave again.
Bueno, that is,” he said to himself. He arrived at the coffin of Zé, and he touched it with great fear. “I beg your pardon!”, he said to the dead man, he came closer, he still without seeing almost nothing, he put the nail and preached as fast as he can to escape from there soon. After the toil, he dropped the hammer on the floor and decided to run away. He took two steps and something pulled his poncho strongly. His heart raced. He looked back, something in the coffin was holding his poncho, but it was too dark to know what... He felt the whole body trembling and heart felt like it would come out of his mouth. He pulled the poncho with more force than he could, the coffin moved into the tomb, the force that held his poncho surely came from the coffin, and it would not allow him to leave without pay for the sin of disturbing the eternal sleep of others. He felt then an acrid taste in his mouth, his left arm was numb and hurt, his looking darken and Tiburcio fell.
The next morning, when his friends were to the tomb, Tiburcio was found dead on the floor, he had a heart attack. Still, they had to admit, he was a brave man, because he nailed the coffin of Zé Monteiro the nail that they demanded, with the detail the poncho of Tiburcio, in the dark, was nailed together ...

My grandfather finished off the story by saying that Tiburcio was buried with the honors of hero, and in his coffin, a dozen bottles of the finest rum, because nobody wanted to fail to pay the bet and risk being haunted by the ghost of a brave man.