domingo, 25 de agosto de 2013

Apenas um rapaz latino-americano

A partir dessa postagem, passarei a descrever algumas idas e vindas de minha vida como bolsista em Oshkosh, Wisconsin, EUA, pelo programa Ciências sem Fronteiras, do governo brasileiro. Espero que gostem.

Aeroporto O’Hare, Chicago,
05h24min, hora local (07h24min, hora de Brasília)
Amazônia vista do voo
Tudo certo. Cheguei sem maiores contratempos, afora o sono.
Cheguei em Chicago às 00:05, horário local (duas horas a menos do que o horário de Brasília), e estou acordado desde então.
Some-se a isso o fato de não ter dormido desde que embarquei no Brasil e de ter passado uma noite agitada antes do embarque (saudades prévias, agitação com a viagem, jantar gostoso na casa dos sogros...), e temos um zumbi escrevendo um texto.
Devo estar com uma cara de desorientado tremenda... Tanto que, no check da mochila, há pouco mais de uma hora, me levaram para fazer exame de consumo de entorpecentes... “Ok, sr, it’s all right”.
A Cidade do Panamá foi mais tranquila; só esperei uma hora pela conexão e zarpei rumo aos States.
Apesar do contratempo das drogas, a chegada foi ainda mais tranquila do que esperava, haviam nos orientado de que haveria um formulário para preencher na chegada... Ninguém sequer tocou nesse assunto, fiquei menos de um minuto na imigração e a única coisa que declarei foi estar trazendo produtos de origem vegetal.
“What product, sir?”
“Ilex paraguariensis, the herb from mate.”
“What?”
“Mate, a drink from the gauchos…”
“What?”
Fiz um sinal de que estava com uma cuia e sugando a bomba. O guarda riu e lascou:
“Ah! I stand... It’s ok”
E lascou um ‘ok’ no meu formulário de declaração alfandegária e um carimbo no meu passaporte.
O aeroporto é simplesmente imenso, creio que maior do que a Barra do Quaraí...
Na chegada, não conseguia encontrar onde ficaria meu embarque dali a oito horas.
Normalmente até que consigo me comunicar em inglês, mas zumbis, em geral, têm dificuldade tanto para compreender quanto para falar a língua de Hemingway...
“¿Habas español?” perguntei a todos os funcionários do aeroporto que encontrei, mas todos foram unânimes na negativa simpática. Resolvi atracar meu inglês...
Muitas idas e vindas, desentendidos e mal-entendidos depois, compreendi que deveria subir a escada rolante e pegar o trem (sim, tem um trem dentro do aeroporto para levar aos diversos pontos...).
No trem, torcendo para ter entendido certo, escutei um palavreado que consegui reconhecer:
“Aqui só é muito frio no inverno”, dizia o rapaz à senhora, com um sotaque carioca carregadíssimo.
“Desculpe, você é brasileiro?”
“Sim.”
“Cara, eu estou tentando encontrar os locais de embarque, meu voo sai daqui há algumas horas.”
Perguntas de praxe: pra onde cê vai? De onde cê é? Primeira vez nos USA?
Logo ele lascou: “Vai até a última parada e desce lá; teu embarque provavelmente é lá”
Obedeci; não tinha outra opção, mas tinha tempo de sobra... Não era uma da manhã (hora local) e meu voo saía às oito.
Quando cheguei, os guichês estavam fechados. Aguardei uma hora, lendo Inferno, a mais nova aventura de Robert “Código DaVinci” Langdon.
Logo levantei e comecei a me preparar para as infindáveis conversas cheias de desinformação e de enganos graças à minha pouca compreensão do idioma local, aliada à síndrome de The Walking Dead que me assolava.
“Excuse-me”, lasquei para uma loira de meia idade simpática em uniforme de segurança, “where is the check in?”
Ela me explicou rapidamente. Lasquei:
“Excuse-me, my english is no good... Do you speak Spanish?”
“No, I’m not… where you are from?”
“I’m from Brazil”
Primeira refeição em solo americano: decepcionante
“Ah, mas eu falo português, morei dez anos em São Paulo”, responde-me ela na língua de Camões.
Dizem que a sorte acompanha os loucos... Talvez acompanhe também os zumbis...
Ela me levou ao guichê, em outro andar do aeroporto, me informando que deveria passar no portão dois e se despediu.
Mas, espere! O portão dois estava fechado!
Tentei me informar novamente com outros seguranças; nada... afinal nenhum falava zumbilês... novamente as perguntas: “você fala espanhol? No, sorry.”
Amanhecer no aeroporto de Chicago, após 7 horas de espera
Até que um outro passageiro, americano, condoeu-se desse cucaracha e me ajudou com intérprete. Ufa!
Entrei para o setor de embarque moído, sedento, faminto...
Lasquei uma mineral por três dólares!!!!!!!
E depois fiz meu primeiro lanche em solo americano  um Mac: hambúrguer com bacon e muffin, acompanhado de café... O bacon tinha gosto de nada, o muffin era doce, o hambúrguer era grotescamente gorduroso e o café aguado... Que saudades do “xis” do João Pedro...

Bom, hora de me dirigir a meu portão; novas aventuras e desventuras me esperam em Appleton e Oshkosh... Mas com certeza o pior já passou (ou pelo menos espero...).

3 comentários:

  1. Grande Guto, primeiramente parabéns, você merece, tenho certeza em teu sucesso, cara estarei aqui na terrinha tupi guarani torcendo por você, espero que sua estada na terra do Tio San seja a mais proveitosa possível e que logo esteja entre nós novamente para dividir o conhecimento dos gringos !!! Forte Abraço Nero....

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  2. Que demais, Guto!
    Viva com prazer cada momento dessa baita aventura!
    Quem sabe vou te visitar! To planejando a tempos uma ida à gringolândia!

    Abração!

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  3. Guto, seja sincero com os amigos..foi só o teste de drogas na chegada ?
    Não teve revista pessoal COMPLETA ?
    Não minta.
    Um abraço da turma e sorte.

    Carlos & Confraria do Chimarrão.

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