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Mostrando postagens de Julho, 2017

Ingressos diferenciados: brasileiras não devem poder escolher pagar menos?

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Você pode ler este texto em inglês em: https://brazilianprimate.blogspot.com.br/2017/07/differentiated-tickets-cant-brazilian.html

Antes que você me pergunte não, eu não sou um liberal que pensa que o “deus mercado” consegue se autorregular e que sob hipótese alguma o Estado deve intervir na iniciativa privada; ok, eu acredito em liberdade e a defendo, mas para mim liberdade não é a mera inexistência de constrangimento e coerção nas relações entre o Estado e os indivíduos, para mim a falta de oportunidades de emprego, educação, saúde, segurança etc. podem ser tão prejudiciais para a liberdade como a compulsão e coerção. Eu não me rotulo, na verdade como integrante desta ou daquela vertente política (ou filosófica tampouco), uma vez que analiso propostas e projetos por seus méritos, não por qual corrente o defende. Tem um amigo meu, por exemplo, que me disse não apoiar a CLT por que ela tinha sido proposta por um governo fascista. Peraí, vamos pensar... interessa mesmo quem introduziu…

Estado laico também vale para culto afro

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Lembro como se fosse ontem. Estávamos em uma aula de pedagogia (eu cursava, então, Licenciatura em Ciências da Natureza) e a professora estava comentando um embate que tinha havido na Câmara de Vereadores pela inclusão do termo “gênero” no Plano Municipal de Educação. Durante a explanação, a professora criticou duramente a participação de evangélicos, se manifestando dentre os que não queriam permitir a modificação da lei; “fere o Estado Laico”, afirmou ela, com o que concordei. Entretanto, um outro aluno, que tinha estado na barafunda, comentou: “mas do seu lado, professora, estavam entidades representativas de cultos afro, isso não fere igualmente o laicismo?”. “Não”, respondeu ela, “por que estes estavam do nosso lado, o lado certo”... Como assim, cara-pálida, quer dizer que Estado Laico significa que pode participar do Estado somente aquelas religiões com as quais concordo (ou que concordam comigo)? Sim, infelizmente para a maioria dos brasileiros essa é a visão do laicismo, a pont…

Holanda, cordialidade, estupro e torcida de futebol

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Raízes do Brasil1 é um livro do historiador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda, publicado2, mas sim que o brasileiro pensam e fazem tudo a partir da afetividade, que têm uma imensa dificuldade para entender as formalizações políticas e, portanto, incapazes de separar o privado daquilo que é público. Daí talvez saiam, por exemplo, a dificuldade de nossos políticos em separar suas contas pessoas das contas do erário público, embora saliente-se o fato de que o fluxo de caixa é em mão única, das contas públicas para as contas particulares. pela primeira vez em 1936, que traz uma interpretação da formação da sociedade brasileira. Uma das ideias radicais trazidas no livro é o conceito de que o brasileiro é um povo cordial. Não se deve entender, entretanto, esse “cordial” como “do coração, verdadeiro, que conforta o coração, conforto”
O fato é que é muito difícil não só fazer política, mas mesmo debater política em um nível civilizado no Brasil; em geral, abandona-se o combate de ideias (…

Boyega e a diversidade em Senhor dos Anéis e Game of Thrones

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Quem acompanha o mundo pop certamente conhece John Boyega, o jovem astro britânico de origem nigeriana, que fez um trabalho destacado como Finn em Star Wars: The Force Awakens, papel que lhe rendeu o BAFTA – British Academy of Film and Television Arts – de ator revelação (merecido, em minha singela opinião). De fato, o ator é um dos méritos da película, que se destacou por ter sido protagonizada por uma mulher e, mais do que isso, revelou o rosto de um stormtrooper no primeiro teaser, e essa face não era branca! Ponto para a diversidade, para a representatividade e para o nerdverso, ponto para mulheres e afrodescendentes, infelizmente tão pouco representados em filmes de heróis ou, quando nestes aparecem, em geral é como vítima ou vilão. Minha mulher, por exemplo, me mostra a cada filme de ação que os negros são sempre os primeiros a morrer, são os equivalentes aos oficiais de segurança (de camisas vermelhas) da série Star Treck: o personagem secundário que deve morrer para destacar a…

Por que as pessoas dos EUA se chamam de "americanos"?

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Uma das acusações frequentes que ouço contra os habitantes dos EUA é o fato de eles se sentirem “mais americanos que os outros”, já que usam o termo “americano” para designarem seu gentilíco1. Mas, afinal, eles estão errados em fazer isso? Não deveriam usar “estadunidense” ou “norte-americano”? Não é um abuso, uma invasão a nosso direito gentílico o fato de eles se chamarem “americanos”, quando nós, brasileiros, os argentinos, os uruguaios, os cubanos, os canadenses... também somos americanos? Já ouvi até argumentos de que isso é uma prova de que a Doutrina Monroe, que proclama “a América para os americanos” quer dizer, na verdade, “a América (continente) para os americanos (cidadãos dos USA)”. De vagar com o andor que o santo é de barro; independente de você amar, odiar ou ser neutro em relação aos USA, independente de você concordar ou discordar de suas políticas, independente de sua própria orientação política, não querer que cidadãos dos USA se chamem de americanos tem tanto sentid…

Afinal, uma nova ditadura é a solução?

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Nossa democracia vai mal, e isso não é especulação, mas uma constatação. Ok, reconheço que não sou um cientista político, ou historiador, ou que não tenho qualquer outra formação em ciências sociais, mas minha análise é a análise de um cidadão. Então a solução é uma ditadura, não é mesmo? Colocar no poder alguém que irá “salvar a pátria”, colocar tudo nos eixos e, depois, entregar o poder ao povo! Será??? Antes de tudo é preciso esclarecer que, quando me refiro a ditadura não estou falando somente de nosso regime pós 1964 ou a seus saudosistas. Refiro-me também ao reverso da moeda, àqueles que consideram Cuba e Venezuela como exemplos a serem seguidos, afinal, “esta noite milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana”1... o fato de que, mesmo com uma taxa de natalidade e de óbitos semelhante ao Brasil, USA e Argentina, por exemplo2, Cuba ter tido um crescimento de somente 59,5% na população (de 7,141 mi em 1960 para 11,390 mi em 2016), enquanto que o Brasil teve 186,66…