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Mostrando postagens de Julho, 2017

Holanda, cordialidade, estupro e torcida de futebol

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Raízes do Brasil1 é um livro do historiador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda, publicado2, mas sim que o brasileiro pensam e fazem tudo a partir da afetividade, que têm uma imensa dificuldade para entender as formalizações políticas e, portanto, incapazes de separar o privado daquilo que é público. Daí talvez saiam, por exemplo, a dificuldade de nossos políticos em separar suas contas pessoas das contas do erário público, embora saliente-se o fato de que o fluxo de caixa é em mão única, das contas públicas para as contas particulares. pela primeira vez em 1936, que traz uma interpretação da formação da sociedade brasileira. Uma das ideias radicais trazidas no livro é o conceito de que o brasileiro é um povo cordial. Não se deve entender, entretanto, esse “cordial” como “do coração, verdadeiro, que conforta o coração, conforto”
O fato é que é muito difícil não só fazer política, mas mesmo debater política em um nível civilizado no Brasil; em geral, abandona-se o combate de ideias (…

Boyega e a diversidade em Senhor dos Anéis e Game of Thrones

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Quem acompanha o mundo pop certamente conhece John Boyega, o jovem astro britânico de origem nigeriana, que fez um trabalho destacado como Finn em Star Wars: The Force Awakens, papel que lhe rendeu o BAFTA – British Academy of Film and Television Arts – de ator revelação (merecido, em minha singela opinião). De fato, o ator é um dos méritos da película, que se destacou por ter sido protagonizada por uma mulher e, mais do que isso, revelou o rosto de um stormtrooper no primeiro teaser, e essa face não era branca! Ponto para a diversidade, para a representatividade e para o nerdverso, ponto para mulheres e afrodescendentes, infelizmente tão pouco representados em filmes de heróis ou, quando nestes aparecem, em geral é como vítima ou vilão. Minha mulher, por exemplo, me mostra a cada filme de ação que os negros são sempre os primeiros a morrer, são os equivalentes aos oficiais de segurança (de camisas vermelhas) da série Star Treck: o personagem secundário que deve morrer para destacar a…

Por que as pessoas dos EUA se chamam de "americanos"?

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Uma das acusações frequentes que ouço contra os habitantes dos EUA é o fato de eles se sentirem “mais americanos que os outros”, já que usam o termo “americano” para designarem seu gentilíco1. Mas, afinal, eles estão errados em fazer isso? Não deveriam usar “estadunidense” ou “norte-americano”? Não é um abuso, uma invasão a nosso direito gentílico o fato de eles se chamarem “americanos”, quando nós, brasileiros, os argentinos, os uruguaios, os cubanos, os canadenses... também somos americanos? Já ouvi até argumentos de que isso é uma prova de que a Doutrina Monroe, que proclama “a América para os americanos” quer dizer, na verdade, “a América (continente) para os americanos (cidadãos dos USA)”. De vagar com o andor que o santo é de barro; independente de você amar, odiar ou ser neutro em relação aos USA, independente de você concordar ou discordar de suas políticas, independente de sua própria orientação política, não querer que cidadãos dos USA se chamem de americanos tem tanto sentid…

Afinal, uma nova ditadura é a solução?

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Nossa democracia vai mal, e isso não é especulação, mas uma constatação. Ok, reconheço que não sou um cientista político, ou historiador, ou que não tenho qualquer outra formação em ciências sociais, mas minha análise é a análise de um cidadão. Então a solução é uma ditadura, não é mesmo? Colocar no poder alguém que irá “salvar a pátria”, colocar tudo nos eixos e, depois, entregar o poder ao povo! Será??? Antes de tudo é preciso esclarecer que, quando me refiro a ditadura não estou falando somente de nosso regime pós 1964 ou a seus saudosistas. Refiro-me também ao reverso da moeda, àqueles que consideram Cuba e Venezuela como exemplos a serem seguidos, afinal, “esta noite milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana”1... o fato de que, mesmo com uma taxa de natalidade e de óbitos semelhante ao Brasil, USA e Argentina, por exemplo2, Cuba ter tido um crescimento de somente 59,5% na população (de 7,141 mi em 1960 para 11,390 mi em 2016), enquanto que o Brasil teve 186,66…