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Mostrando postagens de Abril, 2011

Didi, Dedé, Mussum, Zacarias e as verdades científicas inconvenientes

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Meu amigo Finkler se diz frontalmente contra o dito ‘politicamente correto’; segundo ele, sua contrariedade reside, principalmen-te, em que esta nova atitude matou o humor. “Pense só”, me diz ele, “os Trapalhões, hoje, não conseguiriam aque-las sacadas geniais que nos fizeram felizes nos anos ’70 e ’80, seria um processo atrás do outro”. Realmente penso que não se faz mais humor como antigamente (talvez eu só esteja ficando velho, lembro de meu avô dizer coisas semelhantes sobre a época dele), mas não sei até que ponto a mesmice e a falta de graça do humor brasileiro dos últimos anos se deve ao politicamente correto e, pra falar a verdade, considero que a perda de programas de humor – por mais que aprecie o humor – é uma perda relativamente pequena se realmente colaborar para um mundo socialmente mais justo, menos preconceituoso, menos agressivo às minorias. Considero-me um sujeito alinhado com os anseios de meu tempo e, como ateu, não posso aceitar explicações tais como que uma divindad…

Pequeno dicionário prisional

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Todos os grupos humanos têm uma linguagem própria, seja ela formada de termos técnicos, de gírias ou de ambos. Por exemplo, é quase impossível ver um médico dizendo que o paciente está com problemas “na buchada”, ou um militar chamando um projétil de ‘bala’, ou um político falando ‘mentira’ ao invés de ‘inverdade’; da mesma forma, você não ouvirá um traficante falando em cocaína, mas em ‘farinha’ ou ‘açúcar’; um marinheiro sempre irá se referir a bombordo e estibordo e não ao lado esquerdo e direito do navio, e um economista geralmente pronunciará  ‘valores monetários’ e não ‘dinheiro’. O sistema prisional não foge à regra. Temos aqui gírias e termos para muitas coisas, nomes esses totalmente estranhos ao restante da população. Vou aqui expor brevemente esses termos, tanto a título de curiosidade quanto pelo fato de que, para manter o colorido do mundo cinza da carceragem, muitos deles serão usados em meus textos sobre o assunto. Formado principalmente por uma aglutinação de termos polic…

Centro do Universo?

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Conheça a maior estrela descoberta pelo homem.

Dancem macacos dancem

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Vídeo imperdível sobre nossa condição humana.

Homenagem à Páscoa

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Galileu Galilei, Marie Curie, J. Robert Oppenheimer, Isaac Newton,
Louis Pasteur, Stephen Hawking, Albert Einstein, Carl Sagan, Thomas Edison,
Aristóteles, Neil deGrasse Tyson, Richard Dawkins e Charles Darwin.

Beatriz vai às compras

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Luiz Fernando observa cuidadosamente os pisos que por tantas vezes pisara naquela casa, sentindo cada passo seu como mais um dobre do sino da morte, lembrando vagamente de um filme que assistira com Beatriz, onde um cavaleiro decidia sua sorte jogando xadrez com a morte. “Não deixa de ser irônico”, pensa, enquanto passa para a cozinha, “lembrar disto justamente neste momento”. Enquanto raciocina, nota que o piso de azulejos escuros é o ideal para causar o mínimo estrago: fácil de limpar, certamente não mancharia quando seu sangue por ele escorresse. Pega uma das cadeiras de madeira, mas, quando vai sentar-se, percebe que ela seria fatalmente danificada, talvez ficando manchada perenemente com seu cérebro, pensamento que lhe causou certa agonia, não pela lembrança de que sua massa cinzenta, dali a pouco, estaria espalhada pelo chão e pela cadeira, mas pelo fato de que pudesse, em seu momento derradeiro, macular àquela cadeira de madeira desenhada pela escola alemã Bohaus na década de 1…

Pesadelo

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Telmo sente-se desconfortável no divã, apesar de todo o esforço do jovem médico para deixá-lo à vontade. — Se você preferir – diz-lhe o psiquiatra – pode sentar na cadeira; o importante é que você se sinta confortável.— Não, aqui mesmo está bom – responde Telmo, embora sentisse que o corpo doía, como se os sonhos repetitivos que o levaram à consulta estivessem vagarosamente se apossando de seu corpo.— Mas você me falava de sonhos...Antes de responder, Telmo passa os olhos castanhos pelo ambiente decorado com bom gosto, detendo o olhar sobre a mesa onde observa, ao lado do busto de Freud, que o médico esquecera de mudar o mês do calendário, o qual ainda está em junho de 1973.— Sonhos não, doutor – diz, por fim –, pesadelos!— Pesadelos... Sei... – diz o médico, anotando algo em um caderninho, o que deixa Telmo ainda mais desconfortável – E sobre o que são esses pesadelos?“O que será que esse sujeito tanto anota?”, pensa o paciente, sempre sentindo o desconforto físico, enquanto as image…

Daniel San e a sincronicidade

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Naquele dia ela chegou atrasada, emoldurada por uma neblina triste, com aparência de fog londrino, linda em sua aura de preocupação com a prova de matemática, enquanto em algum lugar Lulu Santos cantava Apenas Mais Uma de Amor, o que me pareceu estranhamento apropriado, lembrei – mas logo afastei da cabeça – da teoria da sincronicidade de Jung. “Estudei a tarde inteira”, disse-me com um sorrisinho lindo nos lábios carnudos, que destacou suas covinhas no rosto, apesar da eterna tristeza de seus olhos negros.“Sei”, disse-lhe eu, “mas acho que não vai ser difícil”.Começamos uma conversa amena e fomos comprar uma coca, que dividimos usando o mesmo canudo.Lembrei-me que os colegas logo chegariam e não ficaríamos mais sozinhos, e convidei-a para uma volta pela quadra da escola. “Somente você”, disse-me ela, “para me convencer a caminhar nesse frio”.“Preciso do conselho de uma amiga”, disse-lhe.“Sou toda ouvidos”.“É que...” e puxei o fôlego, “é que... estou a fim de alguém... alguém muito es…

A importância do Pink Floyd na educação

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A bateria de Mason marcava o ritimo, enquanto o teclado de Wright marcava o fundo da música triste; aguitarra de Guilmor, com seus trinados distorcidos emoldurava a voz e o baixo de Waters, que lançava seu brado: No dark sarcasm in the classroom / Teachers leave them kids alone / Hey! Teacher! Leave them kids alone!Enquanto isso, na tela, crianças marchavam passivamente para o moedor de carne...A performance do Pink Floyd na ópera-rock The Wall é a mais perfeita representação que vejo de meu tempo escolar.Não passava de um nerd em luta contra, em minha visão, professor@s mal-preparad@s, intolerantes e autoritári@s. Hoje rio-me quando lembro que, lá pelos 12 anos, quando meu hobby era entomologia, ao perguntar a uma professora de ciências qual a etimologia da palavralepdóptero ela me lascou: borboletas! Somente muito tempo depois, quando tive acesso a um livro sobre insetos fiquei sabendo que era ‘asa escamada’.Ou da vez em que falei sobre Nietzsche com uma professora de filosofia e el…

O Analfabeto Científico-Tecnológico

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O dramaturgo e poeta alemão Berthold Brecht tem um escrito que sintetiza a importância da educação política na formação do cidadão. Diz o texto:“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”1.Apesar das mais de cindo décadas que nos separam da morte do pensador germânico, suas palavras ainda sintetizam magistralmente aquilo que Paulo Freire tão bem definiu como outro tipo de analfabetismo, uma vez que, para o educador, alfabetizar, muito mais do que ler palavras, deve propic…

Tô de volta limpando a casa.

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Antes de tudo um 'buenas' a meus poucos leitores.
Foram meses de abandono, o pobre blog estava criando teias de aranha, havia poeira acumulada nos cantos, as janelas estavam sem tinta e caindo e os ratos já tinham tomado conta do prédio... Mas fazer o quê? É a vida!
Por alguns meses tive uma experiência de 'dona-de-casa', enquanto a patroa fazia um curso, estudei, passei no Enem, ingressei na Universidade (Ciências da Natureza, Unipampa Uruguaiana), li um pouco, assisti uma meia-dúzia de filmes, curti muito rock e blues, fiz duas tatuagens, joguei xadrez, apreciei algumas cervejas, descansei e curti a filharada como nunca tinha podido fazer nessa vida corrida, mas escrever que é bom, nem uma linha... Neste tempo todo, porém, nunca deixei de pensar com carinho neste espaço (que sequer sei se tem acessos), mas que ainda assim me permite expressar um pouco daquilo que penso e tornar possível que outras pessoas leiam aquilo que escrevo. Prometo que, daqui para diante, não vou…