sábado, 3 de março de 2012

O que faz um prefeito?

A pré-campanha para a prefeitura do maior colégio eleitoral do país, São Paulo, já está em pé de guerra. Ataques de lado a lado, acusações, entrevistas e esse pandemônio todo que deve durar, pelo menos, até outubro.
Sim, caro leitor, sei que a campanha (ou pré-campanha, vá lá...) não se restringe a São Paulo, que o Rio de Janeiro, Porto Alegre, ou até mesmo minha cidade, Uruguaiana, já começam a fervilhar com o clima de combate entre os postulantes ao cargo-mor dos executivos municipais, mas São Paulo, este ano, está conseguindo se destacar em sua pré-campanha, se não pela qualidade dos “prefeituráveis”, ao menos por sua bizarrice.
Para começar, temos o caso do deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o popular Tiririca, do PR, que segundo reportagem do Diário de São Paulo, do alto dos 1,3 milhão de votos alcançados em 2010, cogita concorrer à prefeitura da maior cidade da América do Sul. O deputado, segundo a reportagem, se define como o “Prefeito do Povão”.
Tiririca, para quem não se lembra, foi o legislador federal eleito que precisou provar que não era analfabeto para poder ser empossado. Dizem as línguas maldosas que ele teria concordado de pronto com o teste proposto, apenas impôs como condição que fosse avaliado pelo então presidente Lula...
Ex palhaço de circo, Tiririca destacou-se na campanha com slogans do tipo “o que faz um deputado? Eu não sei, mas vota em mim que eu descubro e te conto”, conseguindo arrebanhar a simpatia de uma gorda fatia da população, especialmente, segundo os analistas, do chamado ‘voto de protesto’ (ou seria de ‘potresto’ no caso dele?).
“Isso é grave”, vejo meu leitor preocupado pensar, “colocar um semianalfabeto no comando da maior prefeitura do país”. Será mesmo?
Concorrendo (ou seria pré-concorrendo) contra o humorista temos um homem seríssimo, com mestrado em Economia pela Universidade do Chile e Doutorado na mesma área pela Universidade de Cornell, ex-ministro do Planejamento e Orçamento, ex-ministro da Saúde, ex-deputado constituinte... homem com extensa ficha...
Pois bem, em entrevista concedida ao jornalista Boris Casoy (veja o vídeo abaixo), o Doutor José Serra chamou o país que já cogitou governar de Estados Unidos do Brasil, denominação que o país teve até 1967, passando então ao atual nome, República Federativa do Brasil. Ao ser interpelado pelo jornalista e apontado seu erro, Serra lançou um singelo: “Mudou?”. Se tivesse sido o Tiririca certamente teriam atribuído o deslize à sua pouca cultura; qual a desculpa do pré-candidato do PSDB?

Bom, talvez a sociologia ou o Aurélio não expliquem o desconhecimento da mudança por parte de Serra, mas acho que posso encontrar as raízes do equívoco em um médico judeu-austríaco chamado Sigismund Schlomo Freud; o velho e bom Sigmund, como é mais conhecido, chamava isso de ato falho.
Para quem não sabe, o ato falho, também conhecido como parapráxis, é um erro na fala, em uma ação física ou na memória, que evidencia sentimentos reprimidos; é como no caso do marido que chama a esposa pelo nome da secretária por estar romanticamente envolvido por ela. Eu soube de um caso de um homem que foi almoçar na casa da mãe e foi pedir para ela passar o saleiro mas, ao invés de dizer “me passe o sal, por favor”, disse “você estragou minha infância, sua mulher terrível” (tá, pode ser lenda, mas ainda assim é um ato falho).
E onde estaria, nas palavras do criador da psicanálise, o “desejo do inconsciente realizado” de Serra?
Bem, eu não sou psiquiatra, ou psicólogo, na verdade sou um reles estudante de ciências, mas atravo-me a cogitar se esse desejo inconsciente não teria sido a entrega do Pré-Sal às petroleiras americanas, conforme denunciado pelo WikiLeaks em 2010. Ou seja, tal como o marido que chama sua mulher Maria pelo nome da amante Raimunda, Serra, que se considera casado com o Brasil (pelo menos desejo sexual pelo país ele já demonstrou), o chama pelo nome de sua amante do norte, já que não pode entregar de bandeja, a preço vantajoso unilateralmente, uma parte considerável de nossas reservas petrolíferas; só é pena que deu tempo de entregar a Vale do Rio Doce.
         Mas, se a briga entre os aspirantes a mandatário do executivo municipal de São Paulo promete ainda muito pano para a manga, e parece que, apesar de todo o humorismo, Tiririca está falando sério, e já há quem cogite que o autodenominado ‘Prefeito do Povão’ vá prometer no melhor estilo da campanha que o alçou a deputado: “Vote em mim pusque eu quero ajudá os mais necessitado, isclusive minha família”. José Serra que se cuide.

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